
Autor: Isabel Ibañez
Ano de publicação: 2024
Editora: Gailivro
Sobre o livro: Se há tema que continua a fazer o coração de qualquer egiptólogo ou apaixonado pelo Mundo Antigo bater mais rápido, é a busca pelos segredos que a areia e o Nilo teimam em esconder. E o livro de hoje junta o melhor de dois Mundos: a ficção histórica vibrante e a obsessão arqueológica pelo túmulo mais procurado dos últimos séculos!
A história leva-nos até ao Egipto de 1884. Acompanhamos Inez Olivera, uma jovem argentina-boliviana de alta sociedade cujo mundo desaba quando recebe a notícia de que os pais — dois arqueólogos — desapareceram misteriosamente no deserto egípcio. Sem hesitar, Inez cruza o Atlântico sozinha, infiltra-se nas expedições do seu tio no Cairo e, armada com o seu talento para o desenho e um misterioso anel antigo, vê-se envolvida numa teia de conspirações, relíquias com vestígios de magia e uma corrida frenética para encontrar o túmulo de nada mais do que Cleópatra VII.
Isabel Ibañez fez o seu trabalho de casa no que toca à atmosfera da época: faz um retrato do colonialismo britânico, da agitação cultural do Cairo e da magia do templo de Philae. Mas o que realmente fascina é a impressionante semelhança entre a determinação de Inez Olivera e uma figura bem real da atualidade, a Dra. Kathleen Martínez! Para quem acompanha a Egiptologia moderna, o nome de Kathleen Martínez é indissociável de Cleópatra. Tal como a protagonista do livro, Martínez entrou num Mundo historicamente dominado por homens e por visões muito tradicionais.
Advogada de formação na República Dominicana, Kathleen largou tudo movida por uma intuição científica forte: a de que Cleópatra e Marco António foram sepultados no complexo de Taposiris Magna, a oeste de Alexandria.
As semelhanças com o livro são deliciosas:
- A persistência contra a corrente: No livro, Inez enfrenta o desdém dos homens da expedição que a acham “um quebra-cabeças” incapaz de aguentar o trabalho de campo. Na vida real, Martínez financiou inicialmente as suas próprias buscas e enfrentou o ceticismo de toda a comunidade académica quando chegou ao Egipto.
- A intuição dos vestígios: Enquanto Inez usa a sua sensibilidade para detetar a “magia” das relíquias da rainha, Kathleen Martínez tem usado uma minuciosa análise de textos antigos e escavações arqueológicas — que já revelaram moedas com o rosto de Cleópatra, túmulos com folhas de ouro e túneis subterrâneos impressionantes, cuja aventura tem sido vastamente documentada pela National Geographic.
- “O que guarda o rio” usa uma pitada de fantasia (a magia que se agarra aos objetos antigos), mas a sua verdadeira força está em capturar perfeitamente essa febre da descoberta, o perigo das escavações clandestinas e o fascínio intemporal pela última rainha do Egipto. É uma leitura compulsiva, com um romance enemies-to-lovers muito bem ritmado e reviravoltas que nos deixam fazem querer comprar em seguida o segundo volume.
O que achei: Se querem sentir a brisa do Nilo, decifrar diários misteriosos e sonhar com os segredos de Cleópatra, este livro é uma paragem obrigatória na vossa estante! 🏺🦅🧭
E que tal, ficaram curiosos? Quem aí já leu o livro ou tem acompanhado as escavações da Dra. Kathleen Martínez? Contem-nos tudo nos comentários! 👇👇
Disponível na Fnac, Bertrand e Wook
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