Portefólio
Trajetória Académica e Investigação Arqueológica
Nesta secção, apresento o meu percurso de formação e especialização em Arqueologia. Este trajeto, assente no rigor científico e na participação em projetos internacionais — desde o Vale do Minho às areias de Marrocos —, prossegue atualmente com o meu doutoramento nas áreas da Egiptologia e da Assiriologia.

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Percurso Académico e Primeiros Projetos
A Consolidação de uma Trajetória Internacional
Concluí a minha licenciatura em Arqueologia em 2018, na Universidade do Minho. Este período foi determinante para a minha formação técnica, proporcionando-me um contacto direto com a prática arqueológica através de diversas frentes de escavação e do convívio com docentes de referência na área.
Ao longo da licenciatura, especializei o meu interesse no estudo do Antigo Egipto, delineando o objetivo de desenvolver projetos de investigação próprios em território egípcio — uma meta que continua a nortear o meu trabalho atual. No meu último ano de curso, iniciei a colaboração com a revista Egiptología 2.0 (Barcelona), mantendo desde então uma produção regular de artigos de divulgação científica.
Com o intuito de aprofundar as minhas competências de investigação, prossegui os estudos de Mestrado na mesma instituição. Este passo académico abriu as portas a novas oportunidades de trabalho de campo, que se viriam a concretizar de forma marcante no Norte de África.


Museu do Louvre
(Outubro de 2023)

Capa da edição nº 11 (Abril 2018), a primeira vez que colaborei com a Egiptología 2.0
“Perfume en Antiguo Egipto. Su uso en la sociedad egipcia, desde cotidiano hasta religión”
Recordo com clareza a submissão do meu primeiro artigo, um momento de natural expectativa quanto à avaliação por parte do conselho editorial da revista. A confirmação da aceitação imediata e a inclusão na edição seguinte representaram um marco de validação importante para o meu trabalho…
A Validação de um Percurso de Investigação
A minha colaboração com a revista Egiptología 2.0 (Barcelona) teve um marco inicial significativo na Edição nº 15, de abril de 2019, onde apresentei uma análise sobre um dos temas mais complexos do Mundo Faraónico: ‘Egipto, ¿un posible mercado de esclavos de la Antigüedad?’.
Ao iniciar este percurso, assumi o compromisso de abordar as questões mais controversas da Egiptologia através de uma perspetiva crítica. Neste artigo inaugural, procurei desmistificar o verdadeiro papel da escravatura na sociedade egípcia, confrontando visões tradicionais com evidências historiográficas recentes. Este trabalho reflete a linha que procuro manter em todas as minhas publicações: a união entre o rigor académico e a clareza necessária à divulgação científica.

Todos temos um momento de clareza que define o nosso percurso. No meu caso, o interesse pelo mundo dos Faraós surgiu de forma inequívoca no 7.º ano, durante uma aula de História…

Experiência de Campo e Investigação
Intervenções e Projetos
Durante a minha Licenciatura e Mestrado, consolidei a minha formação prática através da participação em diversas frentes de escavação e projetos de investigação em Portugal e Marrocos.
A componente prática, promovida pela Universidade do Minho, permitiu-me adquirir competências fundamentais na metodologia de escavação e no registo arqueológico.
O meu percurso de campo iniciou-se em 2016, no Castro de Sapelos (Boticas), um povoado fortificado da Idade do Ferro.
Em 2017, especializei-me em contexto de arte rupestre no Sítio Arqueológico da Breia (Viana do Castelo), seguindo-se, em 2018, a intervenção no Balneário Este da Citânia de Briteiros (Guimarães), um dos sítios castrejos mais relevantes da Península Ibérica.
Em 2019, integrei o projeto internacional ESPANAFRI, focado nos estudos do período português no Norte de África. Nesta campanha, escavei uma das estruturas habitacionais islâmicas do Site Archéologique de Ksar Sghir (Marrocos), onde realizei também a recolha de dados fundamentais para a minha dissertação de Mestrado.







Sítio arqueológico da Breia
De acordo com a Doutora Ana Bettencourt (Universidade do Minho) e o Doutor Manuel Santos-Estévez (Universidade do Minho), existem também casos de arte rupestre de tradição atlântica onde abundam os quadrúpedes sub-naturalistas.









Balneário Este da Citânia de Briteiros
Localizado na encosta nascente da Citânia de Briteiros, adjacente à segunda linha de muralhas e próximo a uma curva da Estrada Nacional 309, o Balneário Este aparece-nos como o segundo balneário do povoado, mais comprido que o rival, o Balneário Sul, com 12m de comprimento.
Enquanto estrutura destinada a banhos, encontra-se implantado numa zona baixa para facilitar o abastecimento de água e o acesso às populações.










Site Archéologique de Ksar Sghir
Localizado na região de Anjera, numa zona de relevos acentuados, a sul do Estreito de Gibraltar, entre Ceuta e Tânger, Ksar Sghir está implantado na margem esquerda do Oued Laksar.
Fontes dos séculos VIII-XIII referem Ksar como um possível porto ou um estaleiro naval que mantinha estreitas relações com a Península Ibérica. Da ocupação islâmica (séculos XII a XV) atualmente reconhecem-se estruturas militares, uma mesquita, um hammam, um mercado e complexos habitacionais.
A ocupação portuguesa (1458-1550) deixará para trás marcas da construção de um castelo e o reforço das estruturas defensivas; a conversão da mesquita em igreja matriz e a construção de mais um espaço de culto; o abandono dos banhos e a sua possível transformação numa prisão, e a apropriação das áreas residenciais e restante tecido urbano. Com a partida dos portugueses, o sítio ficará ao abandono.
Charles L. Redman fora o primeiro a escavar no local (1974-81), deixando a descoberto uma parte do complexo urbano. Desde 2012 que Faculdade de Ciências Socias e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/UNL) segue com trabalhos arqueológicos no local. A esta iniciativa juntou-se a Direção Geral do Património Cultural (2013) colaborando com trabalhos de conservação e restauro, e estudos arqueozoológicos.
Atualmente, o sítio arqueológico conta com uma infraestrutura de apoio, o Centre d’ Interpretation du Patrimoine de Ksar Sghir (2011), que funciona como museu e armazém do espólio recolhido.
Ksar Sghir faz parte de uma densa rede de notáveis sítios marroquinos da época medieval islâmica, que compreende os sítios de Chella, Belyounech, d’al-Mazamma, Sijilmassa, d’Amergou, d’Aghmat e Tinmel.
Em 2019, o meu percurso de investigação conduziu-me a Marrocos, concretamente à vila de Ksar Sghir — designada nas crónicas portuguesas como Alcácer Ceguer —, um entreposto islâmico conquistado por Portugal em 1458.
Durante o mês de junho, integrei o Projeto ESPANAFRI, uma experiência que permitiu não só o contacto com uma equipa de investigadores de excelência, mas também uma imersão técnica profunda em diversas campanhas de prospeção.
Tendo focado a minha experiência inicial em contexto nacional, ambicionava expandir o meu percurso para o estrangeiro, com o intuito de conhecer novas metodologias de trabalho e realidades arqueológicas distintas
Conciliar a investigação de Mestrado em Marrocos com a escavação em Ksar Sghir confirmou que a persistência permite transformar objetivos ambiciosos em projetos concretos.



A minha dissertação,intitulada O Olhar de Gomes Eanes de Zurara sobre o Norte de Marrocos: estudo da paisagem de Alcácer Ceguer (Ksar Sghir), resultou de um trabalho intensivo de campo e de uma análise exaustiva da Crónica do Conde D. Duarte de Meneses.
Redigida em português do século XV, a Crónica do Conde D. Duarte de Meneses documenta a vida e a governação do primeiro capitão de Ksar Sghir, constituindo uma fonte fundamental para o estudo da presença portuguesa em Marrocos.
Gomes Eanes de Zurara destaca-se como um dos mais relevantes cronistas portugueses. Considerado o cronista dos primórdios da Expansão em África, a sua obra constitui o testemunho fundamental deste período, sob o reinado de D. Afonso V.


A presença de Zurara em Marrocos permitiu-lhe coligir dados geográficos, etnográficos e históricos de grande precisão. Esta fidedignidade documental revelou-se um recurso fundamental para a minha investigação, facilitando o cruzamento entre as fontes escritas e a realidade de terreno.
Na realidade, a Crónica do Conde D. Duarte de Meneses transcende a mera narrativa das ações militares do conde ou da afirmação da presença portuguesa em Marrocos.
Gomes Eanes de Zurara faculta ao leitor dados fundamentais sobre a paisagem e o território de Ksar Sghir. Ao referir a toponímia de serras, rios e povoados, enriquece cada capítulo com detalhes que permitem uma reconstituição fidedigna do cenário geográfico do Norte de África no século XV.
A crónica constitui uma descrição fidedigna das elevações que marcam a paisagem e que configuram a orografia daquela região norte-africana.

Zurara refere núcleos habitacionais de diversas dimensões, situados entre vales e serras ou ao longo da linha de costa. Estas povoações encontravam-se articuladas por uma rede viária que, na sua maioria, estruturava o território a partir de Ksar Sghir ou de eixos de circulação secundários.
Os recursos hidrográficos — rios e ribeiras — constituem uma presença constante na narrativa, com particular incidência nos cursos de água próximos das povoações, ou com um papel estratégico na história de Alcácer Ceguer. Destaca-se, pela sua relevância, o Oued Liane, o rio que atravessa Ksar Sghir.
Zurara refere ainda os espaços de culto islâmicos e a arquitetura militar da época, identificando atalaias, castelos e fortificações em pontos estratégicos. Estas estruturas funcionavam como dispositivos de defesa ativa e vigilância do território perante eventuais incursões ou ataques.



Atividade Científica e Trabalho de Campo

Iniciei um processo de prospeção dirigida, utilizando a crónica de Zurara como guia metodológico para a identificação de vestígios no terreno.
Com base nas descrições detalhadas do cronista, articuladas com a análise de outros autores que corroboravam a mesma toponímia, procedi ao reconhecimento e localização destes sítios no terreno.
Numa primeira fase, foram selecionados os locais com descrições mais detalhadas, seguindo-se o trabalho de campo para validar as hipóteses levantadas pela análise da crónica.
O trabalho de campo permitiu identificar três novos locais — Jarda, Ain-Chems e Canhete —, que se juntam a Benambroz, topónimo previamente identificado em 2017 pela equipa do Projeto ESPANAFRI.
O cruzamento dos dados de Robert Ricard (Études sur l’Histoire des Portugais au Maroc, 1955) com os de Hassan Al Figuigui (Toponymie des sites dans le Nord-Ouest marocain d’après les sources portugaises, 2010) permitiu reconstituir a paisagem histórica de Ksar Sghir e validar a narrativa de Zurara.
O trabalho de campo permitiu identificar três novos locais — Jarda, Ain-Chems e Canhete —, que se juntam a Benambroz, topónimo previamente localizado em 2017 pela equipa do Projeto ESPANAFRI.



Consulta a dissertação completa
Desenvolvimento Contínuo
Formação Especializada

Magic in
Middle Ages
Abril de 2020
Doutor Pau Castell Granados

Introduction to Ancient Egypt and Its Civilization
Junho 2020
Doutor David P. Silverman

Archaeoastronomy
Outubro de 2020
Doutor Giulio Magli

Iniciación a los Jeroglíficos Egipcios
Dezembro de 2020 a Fevereiro de 2021
Doutor Josep Cervelló

A Bíblia e o seu contexto. Alguns tópicos
Outubro de 2021
Doutor António de Freitas

Breve introdução à cultura hitita
Novembro de 2021
Doutor António de Freitas

Egiptología
Outubro de 2021
Doutor Josep Cervelló
Doutor José Lull

El Valle de los Reyes
Novembro de 2022
Doutor José Lull
Doutor Miguel Carceller

Egypt before and after pharaohs
Dezembro de 2022 a Janeiro de 2023
Doutora Paola Buzi

Egipto y la Biblia: Historia y Mito
Março a Maio de 2023
Doutor José Lull
Doutor Jordi Vidal Palomino

Introdução à mitologia e religião do Antigo Próximo Oriente
Outubro de 2023 a Maio de 2024
Doutor António de Freitas

Organising an Empire: The Assyrian Way
Dezembro de 2023 a Janeiro de 2024
Doutora Karen Radner

Iniciação ao Acádio I
Janeiro a Maio de 2024
Doutor António de Freitas
Produção Científica
Publicações
Barros, C. (2018), El Perfume en Antiguo Egipto. Su uso en la sociedad egipcia, desde cotidiano hasta religión, revista Egiptología 2.0, nº 11, Abril, Barcelona: Egiptología 2.0, pp. 23-26
Barros, C. (2018), Comer como un egipcio, revista Egiptología 2.0, nº 12, Julho, Barcelona: Egiptología 2.0, pp. 58-63
Barros, C. (2018), El ejército egipcio, revista Egiptología 2.0, nº 13, Outubro, Barcelona: Egiptología 2.0, pp. 66-73
Barros, C. (2019), Desmitificando el Harén Real, revista Egiptología 2.0, nº14, Janeiro, Barcelona: Egiptología 2.0, pp. 75-80
Barros, C. (2019), Egipto, un posible “mercado” de esclavos de la Antigüedad?, revista Egiptología 2.0, nº 15,Abril, Barcelona: Egiptología 2.0, pp. 37-45
Barros, C. (2019), Medicina egipcia: ¿La piedra angular de la Medicina actual?, revista Egiptología 2.0, nº16, Julho, Barcelona: Egiptología 2.0, pp.50-56
Barros, C. (2019), Epopeyas de la infancia: el valor del niño, revista Egiptología 2.0, nº17, Outubro, Barcelona: revista Egiptología 2.0, pp. 60-66
Barros, C. (2019), ¿Demasiado turismo o no? ¿Qué hacer?, El Aldabón – Gaceta Interna del Museo Nacional de las Culturas del Mundo, nº57, 19 a 25 de Agosto, Cidade do México: Gaceta Interna del Museo Nacional de las Culturas del Mundo, pp. 27-33
Barros, C. (2020), Silencios ocultos en las arenas: buscando la nariz de la Esfinge, revista Egiptología 2.0, nº19, Abril, Barcelona: Egiptología 2.0, pp. 77-81
Barros, C. (2020), ¿Quién ha robado el lino del almacén?, revista Egiptología 2.0, nº21, Outubro, Barcelona: Egiptología 2.0, pp. 78-89
Barros, C. (2021), Más allá de las fronteras egipcias: inscripción a Isis en Bracara Augusta, revista Egiptología 2.0, nº22, Janeiro, Barcelona: Egiptología 2.0, pp. 62-69
Barros, C. (2021), Las aguas turbias de las memorias: el arte de olvidar con Damnatio Memoriae en Kemet, revista Egiptología 2.0, nº23, Abril, Barcelona: Egiptología 2.0, pp. 61-68
Barros, C. (2021), Cleopatra VII: Amor, lujo y sangre, revista Egiptología 2.0, nº24, Setembro, Barcelona: Egiptología 2.0, pp. 51-61
Barros, C. (2022), ¿Nadar en las arenas egipcias o relajarse en los baños ptolemaicos?, revista Egiptología 2.0, nº24, Janeiro, Barcelona: Egiptología 2.0, pp.80-87
Barros, C. (2024), Escavando as origens de Ksar Sghir e a conquista portuguesa do Norte de África , Revista Minerva Universitária, 26 de Fevereiro, Lisboa: Revista Minerva Universitária
Divulgação científica
Conferências, seminários e aulas abertas

ICS – Instituto de Ciências Sociais, da Universidade do Minho

EMCHAL – Encuentros con Mujeres de Ciencia, Humanidades, Artes y Letras

Direto com «Além das Pirâmides»

Grupo de Cronística, da Universidade do Porto

ELACH- Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas Letras, da Universidade do Minho

EMCHAL – Encuentros con Mujeres de Ciencia, Humanidades, Artes y Letras

Aula lecionada para o «Programa de Egiptología» da Facultad de Historia da Universidad Pontificia Bolivariana












