Os meus interesses de investigação
Já ouviste falar em termos como Egiptologia, Assirologia, Arqueologia do Próximo Oriente, Arqueologia do Levante, Arqueologia do Norte de África, Arqueologia da Paisagem, ou até Toponímia?
Se não, deixo-te nos próximos parágrafos uma breve definição sobre cada um deles.
Egipto
Egiptologia
Ciência que estuda o Egito faraónico, abrangendo uma longa diacronia que vai desde c. 4500 a.C a 641 d.C. A Egiptologia começa a dar os seus primeiros passos quando, após a expedição de Napoleão Bonaparte ao Egipto, se publica a obra Description de l’Égypte (1809–28), da autoria dos cientistas e especialistas que seguiam com o estadista. A obra trouxe à luz do dia grandes quantidades de material sobre a civilização egípcia, o que começou a despertar o interesse dos académicos europeus.
Nos dias de hoje, a Egiptologia é uma área multidisciplinar, trabalhando a partir de muitas perspetivas e conjugando forças com outras áreas do saber, desde as Humanidades à Física.
Pirâmides de Gizé
(Egipto)
“Soldados, do alto dessas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam!”
— Napoleão Bonaparte
Mesopotâmia
Assirologia
Dedica-se ao estudo da antiga Mesopotâmia e regiões vizinhas através de abordagens textuais, arqueológicas e históricas da Arte.
Disciplina que abrange a Mesopotâmia pré-dinástica; a Suméria; as primeiras cidades-estado Sumero-acadianas; o Império de Acádia; Ebla; os estados de língua acadiana e aramaica da Assíria; Babilónia; as dinastias estrangeiras migrantes do sul da Mesopotâmia – gutianos, amorreus, cassitas, arameus, suteus e caldeus. A Assiriologia cobre as culturas pré-dinásticas neolíticas que datam de 8000 aC até à conquista islâmica do século VII d.C.
Museu do Louvre
(Paris)
Museu do Louvre
(Paris)
Mesopotâmia
Arqueologia do Próximo Oriente
Disciplina que lida com o estudo dos restos materiais da cultura humana desde o início das formas de vida sedentária do início do Neolítico (ca. 10.000 aC) até à conquista dos grandes reinos do Próximo Oriente por Alexandre, o Grande (330 aC).
O seu foco de estudo é a região da Mesopotâmia – zona entre o rio Eufrates e o rio Tigre –, local onde, por exemplo, a Suméria desenvolveu uma das primeiras sociedades complexas. Mais tarde, a Mesopotâmia torna-se também na região onde se erguem os grandes impérios da Acádia, da Assíria e da Babilónia.
Região da Mesopotâmia
Suméria
Acádia
Assíria
Babilónia
Israel, Palestina, Síria
Arqueologia do Levante
Área que se dedica ao estudo do desenvolvimento das sociedades da região do Levante desde os primórdios da sedentarização humana durante o Neolítico – o aparecimento dos primeiros centros urbanos, a primeira “globalização” do comércio e os contatos políticos na Idade do Bronze –, até à formação dos reinos israelitas da Idade do Ferro e sua dissolução nos grandes impérios (ca. 10.000–586 aC).
Gezer / Tell Gézer
(Israel)
Volubilis
(Meknès)
Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia
Arqueologia do Norte de África
Um dos ramos da Arqueologia que se foca no estudo dos principais países do Norte de África – Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia – e da sua dinâmica com o mundo mediterrânico, durante a Pré e a Proto-História, e os períodos Romano, Medieval e Moderno.
Esta pretende compreender a evolução da presença romana e tardo-antiga na área tunisina, na Líbia ocidental e na Argélia oriental, assim como as principais tipologias de materiais arqueológicos africanos que circulavam no Mediterrâneo e no Atlântico.
Site Archéologique de Ksar Sghir
(Marrocos)
Arqueologia
Arqueologia da Paisagem
Ramo da Arqueologia que se ocupa da interpretação do território e da paisagem transformada pelo Homem, e do registo arqueológico que os carateriza. Esta disciplina parte da premissa de que os espaços são fruto da atividade humana ao longo do tempo, convertendo-se no reflexo das sociedades e dos processos históricos que as envolveram.
Território como construção humana
Paisagem como reflexo das comunidades que ali habitam
Estudo de longas diacronias
Importância do registo arqueológico
Linguística
Toponímia
Área que se dedica ao estudo da origem e significado etimológico dos nomes de lugares. Entenda-se topónimo como o nome (ónoma, em grego) atribuído a determinado local (topos, em grego), isto é, ‘nome de lugar’, quer seja uma cidade, uma povoação, uma praça, um rio, uma montanha, uma terra ou um terreno.
Ksar Sghir
(Marrocos)
— (Barros, 2021: 67-68)