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EA 15, Aššur-uballiṭ, rei da Assíria

A EA15, enviada por Aššur-uballit (c. 1365-1330 a.C.) a Akhenaton, marcará o início das relações diplomáticas entre a Assíria e o Egipto, uma vez que até aqui nenhum rei assírio havia contactado formalmente com qualquer faraó.

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As raízes da civilização assíria recuam aos tempos da Pré-História. Contudo, é apenas no século XIV a.C. que se irá distinguir entre os reinos da região, convertendo-se numa das potências dominantes da zona norte da Mesopotâmia (atual Iraque). 

Mapa com o coração do Reino da Assíria (vermelho) e a posterior expansão (laranja) do Império Neo-Assírio no séc. VII a.C., com Assurbanipal (668-627 a.C.) | CC BY-SA 3.0

 

A EA15 é a primeira carta enviada pelo Reino da Assíria ao faraó egípcio. Nos parágrafos iniciais rapidamente percebemos que Aššur-uballit (c. 1365-1330 a.C.) está curioso quanto a este poderoso reino do Norte de África que detém um vasto império, desde o vale do Nilo até à região de Canaã.

Esta missiva vai marcar o início das relações diplomáticas entre o Egipto e a Assíria, uma vez que até aqui nenhum rei assírio havia contactado formalmente com qualquer faraó.  Aššur-uballit decide enviar ao Egipto um mensageiro, da sua maior confiança, para um reconhecimento do terreno e das vantagens e desvantagens que terá em ser aliado do monarca egípcio. Num gesto de amizade, e como já era comum no estabelecimento de laços políticos, envia alguns presentes ao monarca egípcio com o objetivo de, futuramente, se vir a firmar uma aliança entre os dois reinos. 

EA 15, de Aššur-uballiṭ rei da Assíria a Akhenaton

«Digo ao rei do Egipto: Aššur-ubal[lit], o rei da Assíria. Por ti, pela tua casa, pela tua terra, pelos teus carros de guerra, pelos teus exércitos, que tudo corra bem.

 Enviei o meu mensageiro para que te visite e para que visite a tua terra. Até agora, os meus antepassados não te escreveram; hoje, eu escrevo-te. Envio um esplêndido carro, dois cavalos e uma pedra de lapis-lázuli autêntico como presente de boas-vindas (…). Não atrases a visita do mensageiro que te enviei. Que te visite e que logo parta para aqui. Deve ver como és e como é a tua terra, e logo partir para aqui.»

EA 15 (c.1353–1336 a.C.) | The Metropolitan Museum of Art

 

Ficha técnica

Cronologia: Império Novo, Período Amarna

Dinastia: XVIII Dinastia

Reinado: Akhenaton

Datação: c. 1353–1336 a.C.

Local: Amarna (Akhetaton)

Material: Argila

Dimensões: 7,7 cm x 5,5 cm. 

Número de Acesso MET: 24.2.11

Observações: comprada, em 1924, pelo The Metropolitan Museum of Art a Maurice Nahman, no Cairo.

Bibliografia

Moran, William L. (1992) The Amarna Letters. Johns Hopkins University Press, 1987, 1992. 

Hayes, William C. (1959). Scepter of Egypt II: A Background for the Study of the Egyptian Antiquities in the Metropolitan Museum of Art: The Hyksos Period and the New Kingdom (1675-1080 B.C.). Cambridge, Mass.: The Metropolitan Museum of Art, pp. 295–96, fig. 182.

Frahm, E. (2023). Assyria. The Rise and Fall of the World’s First Empire. London: Bloomsbury Publishing.

Society, N. G. (2022). Assyrian Empire. National Geographic. Obtido de https://education.nationalgeographic.org/resource/assyrian-empire/

Cláudia Barros é licenciada em Arqueologia pela Universidade do Minho (2018). Em 2022 concluiu o Mestrado, na mesma área e instituição, com a dissertação “O Olhar de Gomes Eanes de Zurara sobre o Norte de Marrocos: estudo da paisagem de Alcácer Ceguer (Ksar Sghir)”.

Atualmente é colaboradora das revistas Egiptología 2.0 (Barcelona) e El Aldabón – Gaceta Interna del Museo Nacional de las Culturas del Mundo (México), e tradutora da Ancient History Encyclopedia, especialmente no âmbito da Assirologia e Egiptologia, a sua área de estudo e eleição.

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